opinião

Rodrigo Martini

Rodrigo Martini

Jornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Os desafios do Plano Diretor

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O governo municipal de Lajeado tratou com transparência o processo de construção do novo Plano Diretor. Foram diversas audiências públicas realizadas em bairros e associações de moradores distintas, inúmeras conversas com grupos e sociedades civis, e diálogos de menor proporção com membros do Poder Legislativo. Inevitavelmente, há agrados e desagrados. O desafio agora é canalizar tais diferenças para o bem de toda a sociedade.
 
A matéria será enviada nos próximos dias para a apreciação dos vereadores. É lá dentro que o assunto será resolvido a partir de agora. E desde o fim da audiência pública dessa terça-feira, as conversas de bastidores se acentuaram entre vereadores e, principalmente, empresários do ramo imobiliário e da construção civil.
 
São vários pontos ainda em debate. Entre esses, os interesses por detrás do mecanismo de compra de índices construtivos e a fusão entre o Copur e o Codula, com a consequente criação do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano (CMDU). A entidade terá poder deliberativo sobre diversos temas ligados, principalmente, à construção civil no município. É um dos setores que mais geram renda e emprego na cidade. Logo, são muitos os interessados.
 
O tal CMDU precisa manter paridade. Entre os 16 integrantes do conselho, oito fazem parte do quadro de funcionários – efetivos ou não – da prefeitura. Outros sete componentes representam entidades civis e, por fim, há um representante da União de Associações de Moradores, geralmente ligado ao governo municipal – ao menos nos últimos anos foi assim aqui em Lajeado.
 
Um eventual empate poderá vir a ser decidido pelo voto de minerva do presidente do CMDU que, no caso, será o Secretário de Planejamento do município. Isso ainda está indefinido, e deverá ser um dos temas centrais dos próximos debates. E é preciso atentar com cautela para este fato. Pois a grande finalidade de um conselho é garantir um balanço entre os interesses público e privado. Não só de um. E não só de outro.
 
Há de se levar em conta, ainda, a dificuldade de reunir 100% dos representantes das entidades civis – que geralmente possuem empresas e negócios à parte – nesses futuros encontros deliberativos. Afinal, todos sabem que é muito mais fácil garantir 100% de assiduidade dos membros do poder público. Outra vez, corre-se o risco de garantir apenas o interesse de um dos lados da moeda. Para o bem ou para o mal.
 
A ideia dos conselhos é justamente democratizar o debate. É descentralizar o poder, sem repassar todo o poder a quem eventualmente pensa mais no próprio bolso do que no bem estar de todos. Diante disto, e tenham certeza disto, a proposta ainda deverá ser bastante discutida nos bastidores da câmara. Muito provavelmente, com bem menos transparência.
 

Doses de coincidência

Militantes estavam preocupados com as idas de Jair Bolsonaro aos estúdios de televisão para os debates contra Fernando Haddad. Temiam, com razão, pela vida do candidato e diziam: “Fique em casa, capitão”. Mal sabiam que ele era vizinho de um suposto assassino profissional. Mas, um ex-PM vivendo em uma casa de R$ 4 milhões jamais gerou suspeitas nos vizinhos que adoram combater “tudo isso que está ai, talkei”. Tampouco nos serviços de inteligência.
 

Guaraná X Chimarrão

O “Clássico dos Vales” entre Lajeadense e Guarani de Venâncio Aires vale a liderança do Grupo A da Divisão de Acesso 2019. São vários os apelidos para o confronto entre as equipes: “Alviazul x Rubro-Negro”, “Guaraná x Chimarrão”.  Pouco importa o nome. O que importa é lotar a Arena Alviazul na noite de hoje para empurrar o time de Lajeado à elite do futebol gaúcho. O jogo inicia às 20h. Lá, o pastel e o “refri” esperam o torcedor para mais uma vitória!
 

Tiro curto

– A Univates busca o renomado artista Eduardo Kobra para pintar murais em alguns prédios do campus de Lajeado;
 
– A fala de alguns vereadores de Lajeado na audiência pública sobre o novo Plano Diretor assustou empresários e contribuintes que estavam presentes. Para muitos, ficou evidente a “desqualificação” por parte de alguns parlamentares para debater o tema. De alguns, reforço;
 
– Ainda sobre a câmara de Lajeado, o suplente do MDB, Adriel, reclama a falta de oportunidades no plenário. Segundo ele, o partido estaria preterindo suplentes com menos votos no lugar dele;
 
– Em Arroio do Meio, o hospital São José organiza galeto solidário no sábado para arrecadar recursos. Tudo para comprar detectores de fumaça para os prédios que abrigam pacientes;
 
– Reposição salarial ou reajustes são termos bonitos para mascarar aumento nos custos do funcionalismo público. Aos servidores concursados, é até aceitável. Mas AUMENTO todos os anos para vereadores e demais cargos públicos – eletivos ou indicados – é uma piada de mau gosto com o contribuinte lajeadense que atua na iniciativa privada;
 
– Ainda sobre isso, esperamos que o vereador Paulo Tóri (PPL) – o único a votar contra o próprio aumento – abra mão do valor a mais que todos passam a receber em 2019. No ano passado, por exemplo, teve suplente do PT sugerindo redução e, no momento de receber, não abriu mão de um centavo sequer.
 
Boa quinta-feira a todos!