opinião

Raquel Winter

Raquel Winter

Professora e consultora executiva

Nada de nada

Por

Então eu estava lá, quietinha, respirando devagar e pausadamente. Observando o que quisesse ser observado. Fazendo sabe o quê? Nada. Nadinha. E acredite se quiser que fazer nada nos dá um trabalho danado de árduo. É necessário reservar um espaço dentro da agenda, escolher um lugar seguro e esvaziar a mente das quinquilharias que costumam gerar ansiedade, impaciência e incapacidade de parar.
Alguns praticam anos de meditação para aprender a tática. Parar de fazer, de pensar, de julgar, de esperar, de lamentar, de sonhar, de lembrar. Como eu disse, parar é complicado.
E quando você pensa que conseguiu esvaziar a mente, ainda poderá surgir de um fundo falso uma culpa inquietante e perseguidora, que cobra de você a utilização desse espaço de tempo com algo que seja produtivo, criativo ou saudável. Mas…nada é nada. Fazer nada inclui não sentir culpa.
Então finalmente você consegue e fica ali naquela espécie de vácuo até que chega alguém e pergunta:
– O que você está fazendo aí?
E todo o seu esforço se esvai. Essa pergunta é o fim do nada outra vez. Até porque se você for sincero e disser que não está fazendo nada a pessoa irá imediatamente sentir a liberdade de invadir o seu nada e ocupá-lo sem o menor constrangimento.
[bloco 1]
Sabe, mas há algo oculto nisso tudo (que é nada) ainda difícil de entender. Há algo arriscado nessa experiência em que é sutil e tênue a linha entre o nada que permanece leve, que nos aproxima de um estado de nirvana, e o nada que nos atrai para uma armadilha perigosa que é nos confrontar com o nada absoluto que está na ausência da vida.
Talvez essa seja a explicação. Fugimos do nada para não encarar que nada talvez esteja na reta final dessa insana e apressada agenda de tarefas, compromissos e metas rumo ao…rumo ao… Sucesso? Fracasso? Não. Nada disso.