Dois taxistas são assaltados em 30min

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Dois taxistas são assaltados em 30min

Baleado na cabeça e costas, Clodori Vedoy está internado na UTI em estado grave

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Lajeado – A sequência de assaltos a taxistas causa apreensão na categoria. Nessa quarta-feira à noite, dois motoristas foram roubados em um período de meia hora. Clodori Maria Vedoy foi baleado na cabeça e costas. Até o fechamento desta edição (21h), seguia internado em estado grave na UTI do Hospital Bruno Born (HBB).

03Morador do centro, Vedoy foi encontrado ferido por moradores no interior do veículo Siena às 22h30min. O carro estava parado em um barranco no quilômetro 28 da RSC-453, no bairro Floresta, proximidades da empresa Construschorr.

Havia dinheiro espalhado dentro do carro. A carteira estava em cima do console. Conforme registro policial, Vedoy estava atendendo em um ponto de táxi nas proximidades da UPA, no bairro Moinhos D’Água, naquela noite. O veículo foi recolhido para perícia. A Polícia Civil (PC) investiga o caso.

Às 23h, outro assalto. De acordo com a polícia, dois homens solicitaram a um taxista de 31 anos uma corrida até o bairro Jardim do Cedro. Quando chegaram na avenida Presidente Castelo Branco, no bairro Moinhos, anunciaram o assalto.

A dupla ameaçou o motorista com um revólver. Ele entregou R$ 70 e dois celulares e precisou seguir até a pedreira localizada no Morro 25. Na tentativa de evitar que a vítima escapasse, os criminosos a levaram para longe do carro, um Meriva, e então fugiram a pé.

“Não morri por milagre”

Na noite do dia 12 de junho, o taxista Mário Jommertz passou por situação semelhante. Era quase 22h quando dois jovens chegaram no ponto onde ele trabalha, em frente ao Posto Faleiro, no centro. Pediram para ir até os fundos do Shopping Lajeado.

Neste momento, outro cliente chegou ao local, querendo seguir para o mesmo sentido. Jommertz propôs aos três que aproveitassem e fossem juntos. Os dois amigos então sentaram atrás do motorista e o outro rapaz ficou no banco do carona.

No meio do percurso, na rua Maurício Cardoso, no bairro São Cristóvão, o taxista suspeitou que seria assaltado. Então parou o veículo e questionou aos dois jovens se era aquele o destino. Ambos pediram para andar mais uma quadra. Jommertz parou na rua seguinte. “Pedi se podia ser ali. Quando eles responderam sim, um deles sacou o revólver e me deu um tiro nas costas.”

A dupla saiu do táxi e deitou o outro passageiro na rua, roubando todos seus pertences. Mesmo machucado, o taxista também precisou deixar o veículo e entregá-lo para os criminosos escaparem. A vizinhança chamou a polícia que em cinco minutos chegou ao local acompanhada do Samu. Jommertz foi levado ao HBB, onde foi internado na UTI. “Os médicos disseram que eu não fiquei tetraplégico ou morri por milagre.”

Três meses de recuperação

O projétil ficou alojado na espinha de Jommertz e não pode ser retirado. Ele precisou passar por fisioterapia e se tratar devido a dores nas costas durante três meses. “Cogitei desistir, mas eu amo minha profissão.” Há um ano e meio trabalhando como taxista, passou a prestar mais atenção nos passageiros. “Agora sempre verifico bem a pessoa antes de deixar ela entrar no carro. Se eu achar suspeito, não aceito a corrida.”

A categoria cobra mais ações do policiamento para aumentar a segurança dos taxistas. Apenas no ano passado, a BM registrou 11 assaltos no Vale do Taquari, um com morte. O número tende a ser maior – conforme relato de profissionais – pois muitos não informam aos órgãos policiais, tanto por descrédito como por medo de represálias dos criminosos. “A polícia precisa parar de fazer essas blitze administrativas, onde só querem arrecadar dinheiro, e começar a revistar os motoristas e passageiros, inclusive nos táxis”, aponta um taxista que trabalha faz 30 anos.

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