Cheias forçam mudanças nos Planos Diretores

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Cheias forçam mudanças nos Planos Diretores

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Gustavo Adolfo 2 - Lateral vertical - Final vertical

As novas construções de residências nas cidades da região deverão obedecer a um novo Plano Diretor, que prevê uma elevação na altura das construções a fim de evitar que a enchente atinja as residências.

Os projetos serão reavaliados depois que a última cheia atingiu mais de 1,3 mil famílias, deixando um prejuízo de R$ 40 milhões na região. Em Estrela, a altura mínima de construção é de 26 metros acima do nível do Rio Taquari e pode ser alterada para 27.

encSegundo o prefeito Celso Brönstrup , apesar de ter sido a quinta maior enchente desde 1941, a cheia na cidade atingiu cerca de 60 famílias.

Em Cruzeiro do Sul, a administração municipal elabora o Plano Diretor. As reuniões com as comunidades urbanas e rurais foram feitas. Falta reunir os setores de comércio e construção civil. Os critérios para liberação das construções são baseados nos recadastramentos do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU).

Cidade tem 70% das casas abaixo da cota

Em Arroio do Meio, a altura é a segunda maior da região: 32 metros. Mas, 70% das casas estão abaixo desse nível. As construções abaixo dos 29 metros são proibidas. Mesmo assim, algumas casas continuam sendo construídas de forma irregular.

Na última cheia, foram mais de 300 famílias atingidas. Segundo o arquiteto responsável pelo Plano Diretor, Pedro Luiz da Silva, as casas situadas num nível entre 29 e 32 metros só podem ser construídas com pilares e área térrea livre.

“Muitos fecham essa parte de baixo para morar ou alugar, o que aumenta o número de famílias atingidas nas cheias.” O último Plano Diretor foi feito em 2006, mas uma reavaliação está prevista para este ano.

Há cinco anos, a casa de Gilberto de Brito, 43, que morava com o pai no bairro Navegantes, pegou fogo. O pai, de 86 anos, morreu no incidente. Ele não pode mais construir outra casa no lugar porque o terreno está abaixo da cota de 29 metros. Depois disso, ele passou a beber e morar na rua. Após oito anos se mudou para o Abrigo São Chico.

Plano não é renovado desde 1991

Conforme o engenheiro responsável pelo Plano Diretor de Encantado, Cesar Bouvie, a cota para as construções é diferente em cada bairro. A altura geral é de 46 metros. O Plano Diretor da cidade não é renovado desde 1991. A administração municipal contratou uma empresa de geoprocessamento para reavaliá-lo.

Em alguns bairros poderão ser alteradas as alturas. “Cada cheia se comporta diferente, mas nas últimas duas superou os limites e teremos que reavaliar.” O estudo poderá levar cerca de dez meses para que o projeto vá à votação na câmara de vereadores.

Prejuízos ultrapassam R$ 40 milhões

A Defesa Civil ainda não estimou os prejuízos em todos os municípios da região, mas avalia que nos 40 municípios da região as perdas somem mais de R$ 40 milhões. Veja os municípios contabilizados pela Defesa Civil:

Encantado – R$ 8 milhões

Venâncio Aires – R$ 7,8 milhões

Estrela – R$ 7,2 milhões

Arroio do Meio – R$ 7,1 milhões

Roca Sales – R$ 4,5 milhões

Lajeado – R$ 3 milhões

Arvorezinha – R$ 1,5 milhão

Itapuca – R$ 970 mil

Casa flutuante

O proprietário de uma lavanderia de carros de Lajeado, Marciano Gisch, instalou 24 tonéis de óleo diesel vazios embaixo de uma casa de 16 metros quadrados. A estrutura feita de barras de ferro e paredes de PVC, pesando duas toneladas, suportou a cheia do dia 21.

Na última enchente, Gisch retirou os principais motores de dentro da casa, temendo que a construção não desse certo. Mesmo assim, deixou galões de água e objetos pesados, totalizando dois mil quilos.

A casa flutuou e, conforme o proprietário, a marca deixada pelas águas nos tonéis indica que a casa pode suportar até cinco toneladas. “Nessa enchente, tive que rebocar alguns carros com um caminhão porque não tinha as chaves, mas consegui salvá-los.”

Para que não fosse deslocada pela correnteza, duas guias de ferro galvanizado (que não enferruja) seguraram a construção. Teve a ideia quando olhava um noticiário na televisão sobre as casas flutuantes da Amazônia. Conta que quando a enchente invadiu o pátio, por volta das 3h, ainda não havia instalado as guias e que precisou soldá-las às pressas durante a noite.

“Recebi muitas ligações de quem queria saber se a engenhoca tinha dado certo.” Depois de passado o teste, Gisch diz que instalará prateleiras para transportar, além dos equipamentos pesados, todo o material de escritório.

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