Construtores reclamam de atraso na liberação de obras

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Construtores reclamam de atraso na liberação de obras

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Inspeções realizadas, nos úl­timos meses no município, pelo governo do estado in­terditaram dezenas de obras da construção civil. As ra­zões, segundo o superintendente regional do Trabalho e Emprego do estado, Heron de Oliveira, fo­ram irregularidades encontradas na norma regulamentadora de saúde e segurança no trabalho.

Todas as interditadas recebe­ram um prazo de 60 dias para regulamentar a situação. Res­ponsável pela construção de uma galeria interditada, um arquiteto lajeadense confirma que se ade­quou em menos de um mês e que até hoje aguarda nova visita dos fiscais para que seja liberado o restante do trabalho. “Enquanto isso, pago os funcionários para ficarem parados. Protocolei as mudanças e até agora ninguém me orientou sobre datas de libera­ção”, reclama.

obrasEle queixa-se do procedimen­to adotado pelos fiscais, que se­gundo ele, apenas o avisaram do embargo sem nenhuma outra orientação. “Concordo com a fis­calização, mas que ela seja até o fim. Eles precisam ter iniciativa no momento de liberar, não ape­nas no embargo”, salienta.

O arquiteto critica a postura do Sindicato da Indústria e Cons­trução Civil (Sinduscon – Vale do Taquari), que segundo ele, pouco faz em defesa dos construtores e lamenta a falta de união entre as construtoras lajeadenses. “Em momentos assim deveríamos nos unir em prol de uma solução”, observa. A reportagem tentou contato com o presidente do sin­dicato, Paulo Portz, porém não teve retorno.

“O atraso é dos construtores”

Questionado sobre as reclama­ções, Heron de Oliveira afirma que mais de três palestras foram realizadas na região antes das in­terdições, todas ministradas por auditores e médicos. Os encontros foram direcionados aos empresá­rios do ramo da construção civil. “Todos construtores da região fo­ram convidados e avisados sobre as fiscalizações e os principais problemas recorrentes. O atraso é deles”, assegura.

De acordo com Oliveira, antes da equipe de fiscais ser enviada a Lajeado, um técnico vistoriou as principais obras e notificou os proprietários sobre possíveis erros. “Percebendo o descumpri­mento das exigências, enviamos os fiscais para interditarem as obras irregulares”, afirma. Ele acrescenta que todas essas obras foram reavaliadas.

O superintendente avisa que na próxima semana a equipe es­tará de volta à região e ao mesmo tempo em que obras poderão ser liberadas, outras devem ser tran­cadas. Oliveira informa que se­rão averiguadas primeiramente as construções de maior porte e depois das menores. “Nas peque­nas é comum encontrarmos pro­fissionais ilegais. Eles acham que ganham mais trabalhando assim, mas no momento de qualquer aci­dente não recebem ajuda”, alerta.

Sobre os problemas verificados nas obras, ele diz que a maioria dos erros é primário e vai desde funcionários sem carteira assina­da até poços de elevadores aber­tos e betoneiras sem aterramento. “Os últimos são os responsáveis pelos óbitos”, diz. Segundo ele, o trabalho seguirá intenso com o intuito de preservar a integrida­de física de trabalhadores e fazer valer a lei.

Pior para os menores

Um dos gerentes de uma loteadora de Lajeado, Jai­ro Valandro, diz que são constantes as demoras nas liberações, mas apro­va a rigidez das fiscaliza­ções. “É necessário para garantir a segurança de todos e evitar construções ilegais”, diz. Ele relata que na região teve casos de construtoras que tive­ram de aguardar até 60 dias pela liberação, e que a solução foi discutida no Sinduscon. “Temos uma subdelegacia do trabalho aqui, por isso os proces­sos poderiam ser agiliza­dos”, opina.

Ele fala do prejuízo causado às empresas de construção civil pela de­mora nas liberações. Se­gundo Valandro, todos os funcionários trabalham com carteira assinada e não podem ser liberados durante o período de in­terdição. “Funcionários recebem sem trabalhar”, diz. Para ele, o proble­ma se agrava para os pequenos construtores, pois contam com menor número de construções e dependem exclusivamente delas. “Empresas maiores podem realocar os funcio­nários para outras obras, evitando que eles fiquem no ócio”, argumenta.