Aterros transferem pontos de inundações

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Aterros transferem pontos de inundações

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

aterroAo mesmo tempo em que a administração municipal comemora o crescimento da construção civil no município, em que a atual gestão apresen­ta uma média anual de 200 mil metros quadrados em novas construções, ambientalistas e profissionais da engenharia ambiental avisam dos perigos desse aumento, considerado por alguns como desordenado. Odorico Konrad, o professor da Univates e engenheiro ambiental, alerta para a fal­ta de fiscalização e leis que inibam impactos ambientais mediante novas construções. Segundo ele, o fato de muitos prédios e residências estarem sendo construídas sob áreas inundáveis está prejudicando moradores de outros locais, que nunca haviam tido proble­ma com inundações em dias de fortes chuvas. “Geralmente esses terrenos recebem aterros durante meses, passando a falsa impressão de que a água simplesmente sumiu, mas ela terá de aparecer em outro local”, argumenta, acrescen­tando que banhados e peque­nos córregos servem como uma espécie de esponja, que absorve o excesso de água, devolvendo-a gradualmente de volta ao leito do rio. “Ao aterrarmos esses locais es­taremos acabando com esse processo natural”, alerta.

Konrad explica de forma simples o fato. “Aterrou 100 metros cúbicos de água, serão os mesmos 100 metros cúbi­cos que invadirão o terreno de outra pessoa”, salienta. Segundo o ambientalista, o fato do terreno localizado em áreas inundáveis ser mais barato faz com que muitos construtores invistam neles e aceitem aterros diversos por algum tempo, para então iniciar construção em uma base mais alta, evitando que a água atinja os novos prédios e residências. “Trata-se de um investimento com bas­tante impacto ambiental e que visa só o lucro do investidor. O ideal seria não construir nada nestes locais”, observa. Odorico alerta para a res­ponsabilidade do comprador no momento de adquirir um imóvel. Para ele, todos devem buscar saber se está ou não localizado em uma área de risco ou inundável.

Foto Rodrigo Martini

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